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PASSAPORTE ENCONTRADO EM APARELHO DO MOLIPO DÁ ORIGEM ‘A ORDEM DE PRISÃO CONTRA JANOT PACHECO

Eduardo Janot Pacheco, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) foi exaustivamente investigado apos a queda e morte na tortura de Aylton Adalberto Mortati. Na casa onde residia Mortati foi encontrada pelos agentes do DOI/CODI, que efetuaram a prisão do militante do Movimento de Libertação Popular – Molipo, um passaporte em nome de Janot.  Devido a esse achado foi emitida ordem de prisão de Janot  Pacheco , que viajou para a França em função de uma bolsa de estudos

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AYLTON ADALBERTO MORTATIDirigente do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO).

Nasceu em Catanduvas, Estado de São Paulo, em 13 de janeiro de 1946, filho de Umberto Mortati e Carmem Sobrinho Martins.

Desaparecido, aos 25 anos, desde 1971.

Em sua cidade natal, fez o primário, o ginasial e o colegial. Mudou-se para São Paulo, onde fez vestibular para a Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie. Era execelente pianista e faixa preta no caratê.

Foi preso em 1968, no XXXCongresso da UNE.

Viajou para Cuba, onde permaneceu por um ano. Retornou ao Brasil em 1971, vivendo clandestinamente em São Paulo até sua prisão, morte e desaparecimento.

Oficial da reserva do Exército Brasileiro, teve sua “Carta Patente” cassada pelo Presidente Médici.

Foi preso na Rua Cervantes, n° 7, Vila Prudente, no dia 4 de novembro de 1971, quando sua casa foi invadida por agentes do DOI-CODI, para onde foi levado e torturado.

Os presos políticos de São Paulo denunciaram, em documento enviado ao presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Dr. Caio Mário da Silva Pereira, em 1975, a prisão, tortura e assassinato de Aylton.

Tinha prisão preventiva decretada pela 2ª Auditoria de Guerra e o procurador militar havia ‘pedido pena de morte’ para o ele.

Estava clandestino desde outubro de 1968. Desde essa época, até seu desaparecimento, sua família foi presa e perseguida várias vezes.

Seu nome consta, no Arquivo do DOPS/PR, em uma gaveta com a identificação: “falecidos”.

O Relatório do Ministério da Aeronáutica apresenta sobre ele a seguinte informação: “Neste órgão consta que foi morto em 04 de novembro de 1971, quando foi estourado um aparelho na rua Cervantes, n° 7, em SP. Na ocasião usava um documento (passaporte), em nome de Eduardo Janot Pacheco.”

Em matéria publicada pelo jornal “Folha de São Paulo”, feita com base em depoimento de um general com responsabilidade dentro dos órgãos de repressão, a morte de Aylton é assumida quando o mesmo confirma a morte de doze opositores considerados desaparecidos.

De sua mãe, D. Carmem Martins:

“Recordo-me que, na primeira vez, a caravana de policiais era do DOPS e, em outubro de 1968, invadiram minha residência à rua Rafael de Barros, 209, Paraíso, em São Paulo, onde tinha um pensionato. Revistaram tudo e levaram fotografias de meu filho. Cerca de 15 dias depois, ainda em outubro de 1968, mais uma vez, minha residência foi invadida pela madrugada por elementos da Aeronáutica, mais precisamente cinco pessoas, que, aos ponta-pés entraram e reviraram tudo, levando presos eu própria, um pensionista de nome José Roberto Sobhia e a pensionista Eugenia Zeviani, que hoje está casada e, ao que parece, reside em Catanduvas. Fui levada, juntamente com meus hóspedes, ao Comando Aéreo de São Paulo, na Avenida do Estado, e interrogados separadantente. As autoridades da Aeronáutica alegavam que Aylton havia seqüestrado um avião e o desviara para Cuba.

A partir daí minha vida e de minha família passou a ser de constante vigilância e provocação por parte de agentes de segurança, que estacionavam carros à frente de minha residência, subiam no telhado da casa, usavam o banheiro existente no fundo do quintal, revistavam compras de super-mercado, censuravam o telefone, espancaram meus sobrinhos menores e, ao que pude deduzir, provocaram um início de incêndio em minha residência/pensionato. Os agentes que vigiavam minha residência e meus passos por duas vezes atentaram contra minha vida, jogando o carro em minha direção. Nestas oportunidades escudei-me atrás do poste. A partir de então recebi, com constância e permanência, bilhetes ameaçadores, onde estava escrito que meu filho ia morrer e vinha junto o desenho de uma cruz, em preto, nos bilhetes. Quando eu recebia esses bilhetes ameaçadores, os levava de imediato ao Comando da Aeronáutica e os entregava a um Capitão, que me havia interrogado anteriormente e que, de tanto eu levar-lhe bilhetes, resolveu me fornecer uma carta onde se consignava que a Aeronáutica tinha feito uma vistoria em minha residência e que eu não tinha nada a ver com as atividades de meu filho.

Essa situação continuou até o final de 1971, quando, em torno do dia 4, 5 ou 6 de novembro, recebi telefonema anônimo, feito para a casa de meu vizinho que é médico, de nome Dr. Michelangelo Losso, dando conta de que Aylton Adalberto Mortati havia sido preso pelos órgãos de segurança e estava na OBAN, baleado e muito mal e que a família tomasse providências. De imediato, fui até a rua Tutóia. Procurei os serviços profissionais do advogado Virgílio Lopes Enei, que me orientou para continuar levando roupas em nome de Aylton, na OBAN. Essas roupas não eram aceitas pelos funcionários daquele local. Virgílio, num dia na Auditoria Militar, viu sobre uma mesa a certidão de óbito de Aylton Adalberto Mortati e tentou pegá-la, quando foi surpreendido e acabou sendo detido e encaminhado para a OBAN, onde passou 15 dias preso.

Procurei também um promotor da 2ª Auditoria Militar em São Paulo de nome Durval Moura de Araújo, que me entregou uma carta para que eu fosse buscar o atestado de óbito de meu filho nas dependências do DOPS. Peguei a carta e fui ao DOPS falar com seu diretor, o delegado Alcides Cintra Bueno Filho. Não fui recebida por este delegado, mas por um funcionário subalterno que alegou a inexistência do atestado de óbito. Retornei ao Dr. Durval e devolvi a carta ao promotor.

O Dr. Virgílio, após a prisão e por motivos pessoais, declinou de continuar prestando-me assistência profissional. Fui à Cúria Metropolitana de São Paulo, onde, em conversa com D. Paulo Evaristo Arns, recebi a sugestão de procurar o advogado Luis Eduardo Greenhalgh, o que fiz em seguida. Após o advento da Lei de Anistia, requeri à Justiça o atestado de meu filho Aylton, por morte presumida, conforme faculta a Lei de Anistia de 1979. Nesse processo, foram ouvidas testemunhas que, na época em que estiveram presos, se certificaram da prisão e morte de meu filho. Com base nesses depoimentos, a Justiça deu-me o referido atestado.

Durante todo esse tempo procurei localizar o paradeiro de meu filho Aylton nas repartições policiais, judiciais, hospitalares e outros, mas sempre em vão. Recordo-me que, no mês de agosto de 1972, encontrei por baixo da soleira da porta de minha casa um bilhete para que guardasse como recordação o anel de formatura de música de meu filho Aylton. Junto com o bilhete, efetivamente estava o anel. Das repartições em que procurei meu filho a única que não visitei foi o IML. Meu irmão, Perfeito Sobrinho Filho, foi ao Cemitério de Perus e nada encontrou.

 

 

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