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A LUTA DOS COLONOS DESAPROPRIADOS POR ITAPU VISTA PELA IMPRENSA

Como conseqüência da repentina valorização da terra no Oeste, muitos dos agricultores desapropriados não conseguiram adquirir novas propriedades na região. O preço oferecido pela Binacional não ultrapassava a metade do valor que era pedido por propriedades idênticas fora da área que seria desapropriada.

A resistência aos preços oferecidos pela Itaipu durou cerca de cinco anos. No começo foram pequenas reuniões nas igrejas católicas e luteranas da região. Após dezenas de tentativas frustradas de negociação, no dia 14 de julho de 1980, cerca de 400 agricultores sitiaram o escritório da Itaipu em Santa Helena, interditando as ruas com caminhões, tratores e outras máquinas agrícolas. Os manifestantes pediam indenização justa para os atingidos pelo plano de desapropriação de terra na área onde seria formado o reservatório.

A imprensa da região foi para Santa Helena e os boletins radiofônicos acabaram atraindo colonos dos arredores. Nas primeiras horas da tarde já eram cerca de 1.500 manifestantes que se deslocaram de Rondon, Itacorá, Missal, Alvorada do Iguaçu e outras localidades. Para garantir alimentação aos acampados várias carretas carregadas com gêneros alimentícios foram estacionadas no local. Um serviço de alto-falante denominado Rádio Justiça e Terra foi instalado em cima de um caminhão e por ele desfilaram oradores e duplas de cantores acompanhadas por sanfona e violão. Em pouco tempo dezenas de barracas de lona tomaram conta da área do acampamento e faixas e cartazes com dizeres alusivos ao movimento foram espalhados nas imediações e colados nos pára-brisas e na parte traseira dos veículos estacionados.

Uma comissão para negociar com a Itaipu foi eleita pelos manifestantes e as reuniões se prolongaram até a diretoria da Itaipu prometer rever posições e abrir um canal de negociação com os colonos. Diante do compromisso assumido os agricultores desmontaram o acampamento e retornaram às suas propriedades

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 A LUTA DOS COLONOS DESAPROPRIADOS POR ITAPU VISTA PELA IMPRENSA

Aluizio Palmar

Aluízio Ferreira Palmar, nasceu em 24 de maio de 1943, em São Fidélis, Estado do Rio de Janeiro. Em sua juventude estudou na Universidade Federal Fluminense e, devido à sua militância revolucionária foi preso e banido do país, após ter sido trocado, juntamente com outros 69 presos políticos pelo Embaixador da Suíça no Brasil. Depois de passar oito anos entre o exílio e a clandestinidade, deu início, após a Anistia Política, a carreira jornalística que completou 50 anos.
Aluízio Palmar foi consultor da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão estadual da Verdade do Paraná, tendo seu trabalho de pesquisador dado origem ao site Documentos Revelados

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