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CIANURETO PARA ESCAPAR DAS TORTURAS

CIANURETO PARA ESCAPAR DAS TORTURAS

Liliana Inés Goldenberg era integrante da organização peronista Montoneros e morreu em 2 de agosto de 1980, juntamente com seu companheiro  Eduardo Gonzalo Escabosa, ao tentar ingressar à Argentina, através de Foz do Iguaçu.

Lílian, de 27 anos, loura e franzina, e seu companheiro Eduardo, de 30 anos, embarcaram na lancha Caju IV, pilotada por Antonio Alves Feitosa, conhecido na região por “Tatu”. Antes da atracação no lado argentino, dois policiais brasileiros que estavam a bordo mandaram o piloto parar a lancha e apontaram suas armas para o casal. Cercados, Lílian e Eduardo ainda puderam ver que mais policiais desciam ao atracadouro, vindos da aduana argentina. Assim que perceberam ter caído numa cilada, Lílian e Eduardo se ajoelharam diante de um grupo de religiosos que se encontravam na lancha, e gritaram que eram perseguidos políticos, preferindo morrer ali a ser torturados. Em seguida abriram um saco plástico, tiraram uns comprimidos e os engoliram bebendo a água barrenta do Rio Iguaçu. Morreram em trinta segundos, envenenados por uma dose fortíssima de cianureto.

Os religiosos italianos sumiram. Tatu foi convocado à comparecer à sede da Capitania dos Portos de Foz do Iguaçu e também à Prefectura Naval de Puerto Iguazú. Foi aconselhado a esquecer a morte dos jovens argentinos ocorrida em sua lancha.

Ao cobrir esse caso na época para o jornal O Globo, eu procurei a Capitania dos Portos para saber que providências as autoridades navais de Foz do Iguaçu iriam tomar; se seria aberta uma sindicância, como é de praxe nesse tipo de acontecimento. A resposta que recebi foi curta e grossa. O oficial que me atendeu disse que o incidente ocorrera do “lado de lá”, e em seguida mandou um marinheiro me acompanhar até a porta de saída. Tentei ainda argumentar que o fato ocorrera em um barco brasileiro, mas não teve jeito, o oficial reiterou a ordem dada ao marinheiro momentos e saiu da sala.

 

 

 

 

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1 comentário

  1. Nilo Sérgio Cnfort diz:

    Fatos importantes da história do país, não podem ser omitidos pela imprensa e nem pelos governos constituidos.

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