O coronel Paulo Malhães prestou depoimento à Comissão Nacional da Verdade em 25 de março. No testemunho, deu sua versão sobre operação do Exército para desaparecer com os restos mortais do deputado federal Rubens Paiva. Informou também que agentes do CIE mutilavam corpos de vítimas da repressão assassinadas na Casa da Morte, em Petrópolis, arrancando suas arcadas dentárias e as pontas dos dedos para impedir identificação. Os detalhes esmiuçados, o tom e a postura do depoente calaram fundo na consciência da opinião pública, sobretudo naquele momento quando o país rememorava o cinquentenário do golpe militar.
Agente do Centro de Informações do Exército e coronel do Exército brasileiro, Paulo Malhães simbolizava no desempenho de suas funções um dos arranjos de poder mais perversos na história desse país, onde o Estado agia de forma hedionda, fora dos parâmetros da moralidade comum e da lei.
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