Capa Geral Mov.Estudantil

Dossiê ASI/FUEL: Monitoramento e Perseguição Política na UEL (1980-1982)

documento consiste em um extenso dossiê de inteligência, composto por centenas de Informes de Busca (IB), prontuários individuais, cópias de panfletos subversivos e recortes de imprensa monitorados. Produzido pela Assessoria de Segurança e Informações (ASI) da então Fundação Universidade Estadual de Londrina (FUEL), atual UEL, o arquivo abrange predominantemente o período entre o final da década de 1970 e o início dos anos 1980. Esta estrutura funcionava como um braço local do Sistema Nacional de Informações (SNI), servindo para coletar dados detalhados sobre a vida acadêmica e política no norte do Paraná, enviando-os posteriormente para órgãos de cúpula como a Divisão de Segurança e Informações do Ministério da Educação (DSI/MEC).

O conteúdo das centenas de páginas revela uma vigilância obsessiva e capilarizada sobre o cotidiano universitário. O dossiê cataloga minuciosamente a organização do movimento estudantil (DCE e centros acadêmicos), a atuação de sindicatos de professores e as articulações de tendências políticas como a “Viração”, a “Libelu” e militantes do PT e PMDB. Há um foco persistente na identificação de lideranças, como o estudante Fábio Caldas de Mesquita e membros da JUDEPRO, além do monitoramento de eventos de “conscientização popular” e greves em setores como saúde e educação. O documento expõe como a universidade era tratada como um “campo de batalha” ideológico, onde até mesmo palestras acadêmicas e atividades de extensão em vilas populares eram reportadas como ameaças à ordem nacional.

Contextualmente, o arquivo insere-se nos anos finais da ditadura militar brasileira, durante os governos Geisel e Figueiredo. Embora o regime passasse por um processo de “abertura lenta, gradual e segura”, o dossiê prova que a engrenagem repressiva continuava operando com força total nos bastidores. O período foi marcado pelo ressurgimento das entidades de classe, a luta pela Anistia e o fortalecimento de movimentos sociais que desafiavam o autoritarismo. A ASI/FUEL atuava justamente para mapear essa transição, tentando identificar e neutralizar os agentes dessa mudança social antes que o regime perdesse o controle sobre a narrativa política e o espaço acadêmico.

A existência e o volume deste documento constituem um testemunho sombrio da vigilância e da violência institucional promovida pela ditadura. Ao transformar o ambiente universitário em um terreno de espionagem e perseguição, o Estado brasileiro violou direitos fundamentais e destruiu carreiras e vidas sob o pretexto da segurança nacional. A análise deste dossiê revela a face perversa de um regime que temia o pensamento crítico e que, através de sua burocracia do terror, tentou sufocar a democracia no berço das instituições de ensino, deixando cicatrizes profundas na história da educação e da liberdade política no Brasil.

Apoie o Documentos Revelados

Desde 2005 o site Documentos Revelados faz um trabalho único no Brasil de garimpo de documentos do período da ditadura. Ele é dirigido, editado e mantido no ar por uma única pessoa, Aluízio Palmar.

Contribuindo para manter o Documentos Revelados você ajuda a história a não ser esquecida e que nunca se repita.

Copie esta chave PIX, cole no aplicativo de seu banco e faça uma doação de qualquer valor:

palmar64@gmail.com

Você também pode gostar...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.