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TRABALHO DAS ESQUERDAS NAS FAVELAS NA DÉCADA DE 60. DO SECUNDÁRIO AO PRINCIPAL

 

O movimento de ocupação e resistência dos favelados de Belo Horizonte na década de 60 é um exemplo de partir das lutas secundárias e alcançar níveis superiores de lutas políticas.  A atuação do PCB, AP e Polop foi fundamental para a conscientização da massa favelada.

Entre 1955 e 1965, o número de habitantes nas favelas de BH passou da ordem de 36.432 para 119.799; entre 1981 e 1985 esse número foi de 233.500 para 550.0005. Esses dados indicam forte relação entre o momento de mobilização analisado e o crescimento da desigualdade no acesso a bens de consumo coletivo (esgoto, água, luz, etc.).

Nesse contexto o associativismo de defesa coletiva representou a legitimidade da luta dos trabalhadores favelados interessados na construção de equipamentos urbanos no local de moradia e em permanecerem na área que tinham ocupado, conseguindo a segurança jurídica para suas habitações. Na década de 1960, a sigla “UDC” era um símbolo que servia para identificar o associativismo de favelas em Belo Horizonte. Se lermos o primeiro exemplar do jornal O Barraco (em anexo), o “órgão oficial da Federação dos Trabalhadores Favelados”, vamos encontrar no logotipo do periódico a inicial “UDC”, gravadas em uma casa humilde que representa a sede de uma associação de favela. Importante que se diga: nem todas as associações ligadas a Federação tinham esse nome; havia Sociedade Pró-Melhoramentos, Comitês de Defesa Coletiva, Centro de Defesa Coletiva e Associações Beneficentes. Mas a julgar a reiteração.

A Federação foi fundada em 1959 com 9 associações  (Uniões de Defesa Coletiva), quando sofreu intervenção militar, após o Golpe de 1964, eram 55  entidades que filiadas a Federação dos Trabalhadores Favelados de Belo Horizonte. O presidente da Federação era Francisco Nascimento, uma liderança ligada ao PCB.

Os documentos em anexo, pertencentes ao Fundo DOPS, do Arquivo Público de Minas Gerais constituem peças importantes para os estudiosos dos movimentos de massa na década de 60. Na linha de frente da luta política estavam Vania e Sinval Bambirra, José Maria Rabelo e outros,

Texto elaborado com contribuições  Samuel Silva Rodrigues de Oliveira ( O movimento de favelas de Belo Horizonte e as representações do passado (1960-1980)

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1 comentário

  1. Antonio Nahas says:

    Estou fazendo pesquisas sobre o COLINA, grupo mineiro, e gostaria de saber se vc. tem informações sobre as circunstâncias da prisão de João Lucas Alves, ex-sargento, que foi preso no Rio de Janeiro em dezembro de 1968, transferido para BH em fevereiro, onde foi torturado até a morte.
    V, por acaso, tem alguma informação sobre o asusnto?
    Obrigado,
    antnahas

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