Esse arquivo contém a monografia intitulada “O Destacamento de Operações de Informações (DOI): histórico, papel no combate à subversão, situação atual e perspectivas” de Freddie Perdigão Pereira, produzida em 1977. Freddie um militar brasileiro, acusado de assassinatos, torturas e desaparecimento de opositores durante a ditadura militar no Brasil, integrante do Centro de Informações do Exército (CIE) e do SNI, e um dos mais atuantes oficiais do Exército Brasileiro no aparelho repressivo do governo militar.
Sua monografia constitui um documento interno de doutrinação militar e busca apresentar uma visão institucional e justificadora das ações do DOI (Destacamento de Operações de Informações) no contexto da repressão política promovida pelo regime militar. O texto narra o surgimento e desenvolvimento dos DOI, com destaque para sua atuação como braço operacional do sistema de segurança e inteligência, especialmente em articulação com os CODI (Centros de Operações de Defesa Interna). A narrativa é construída com base em uma perspectiva de que o país estava sob ameaça da “subversão comunista”, e por isso o uso de meios excepcionais de repressão se faria necessário. O autor adota um tom técnico e elogioso, exaltando a eficácia e a importância estratégica dessas estruturas para a manutenção da ordem e do “modelo de segurança nacional”.
No conteúdo, Freddie Perdigão Pereira descreve detalhadamente a estrutura organizacional, os métodos de atuação, os princípios doutrinários e os objetivos operacionais dos DOI, demonstrando seu papel central no combate a movimentos políticos de oposição. A monografia tenta conferir legitimidade teórica e prática à repressão, descrevendo ações como investigações, prisões e interrogatórios — muitos dos quais, sabemos hoje, envolveram tortura sistemática, desaparecimentos forçados e execuções extrajudiciais. O documento também faz uma avaliação do funcionamento da repressão até aquele momento, apontando desafios enfrentados e propondo caminhos para o “aperfeiçoamento” das operações de inteligência. O autor defende a expansão e profissionalização do sistema, revelando o desejo de institucionalizar permanentemente o aparato repressivo como parte estrutural do Estado brasileiro.
A análise desse documento, à luz do conhecimento histórico atual, permite compreender como a repressão foi sistematicamente pensada, organizada e naturalizada dentro da lógica militar do regime. Trata-se de uma fonte valiosa para os estudos sobre a ditadura, pois mostra como os próprios agentes da repressão pensavam e justificavam suas práticas, muitas vezes encobrindo crimes de Estado com a retórica da defesa da pátria. Ao mesmo tempo, é um exemplo nítido da produção de discurso ideológico dentro das Forças Armadas, revelando a forma como o regime construiu uma autolegitimação técnica e moral para atos violentos contra civis. Seu valor está, portanto, em iluminar os mecanismos internos da ditadura e contribuir para que se conheça melhor o funcionamento da máquina repressiva, algo fundamental para a preservação da memória, da verdade e da justiça histórica no Brasil.
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