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COMISSÃO DA VERDADE DA UNIVERSIDADE DO ESPÍRITO SANTO – RELATÓRIO FINAL

Esta publicação contém o Relatório Final da Comissão da Verdade da Universidade Federal do Espírito Santo (CVUfes) e constitui, fundamentalmente, o resgate de um importante capítulo da história recente desta instituição de ensino. E é, igualmente, um componente da história política do Estado do Espírito Santo e do Brasil no século XX, mais precisamente no período de 1964 a 1985, em que o País viveu sob o imperativo de uma ditadura militar. Deve-se reconhecer o valoroso esforço coletivo da CVUfes em seu complexo trabalho de pesquisa, para que aquele período da história fosse recuperado.
O resultado aqui apresentado está devidamente anexado ao grandioso trabalho produzido pela Comissão Nacional da Verdade, criada pela presidenta Dilma Rousseff por meio da Lei Federal nº 15.528. Os preceitos que inspiraram a criação da Comissão Nacional foram compartilhados no âmbito da Ufes, por considerá-los pertinentes e oportunos, na medida em que as perseguições, prisões e torturas no período citado constituíram um conjunto de ações políticas repressivas que atingiram fortemente a comunidade universitária, interferindo no funcionamento da instituição, em fl agrante desprezo aos princípios democráticos do Estado de Direito.
Este trabalho começou a ser idealizado em 2011, quando recebemos documento ofi cial do Ministério da Educação informando sobre a criação da Comissão Nacional da Verdade – instalada em 2012 –, em que havia orientação para a formação de comissão interna com objetivos semelhantes. Fizemos uma avaliação no âmbito da Administração Universitária e passamos a trabalhar na direção da proposta. Com engajamento e determinação, assumiu a condução do projeto a então vice-reitora, a professora Maria Aparecida Santos Corrêa Barreto, a saudosa Cida, que, para nossa tristeza, veio a falecer em setembro de 2013. A essa altura, muito por conta do seu empenho, a CVUfes estava instalada por meio da Portaria 478, de 27 de fevereiro de 2013.
Ao assumir a função de vice-reitora, a professora Ethel Leonor Noia Maciel deu continuidade ao compromisso da Administração Universitária. Acompanhou, incentivou e ofereceu o suporte institucional adequado ao funcionamento da comissão. A CVUfes foi criada com a seguinte composição: professores Pedro Ernesto Fagundes (coordenador), Paulo Velten (subcoordenador), Attilio Provedel, Bernardete Gomes Mian, Luiz Cláudio Moises Ribeiro e Temístocles de Sousa Luz; os servidores técnico-administrativos Rita de Cássia Rebello Loss e Wellington Pereira; e os estudantes Marcello França Furtado, Nevitton Vieira de Souza e Thiago Soares Bermudes.
A CVUfes passou a trabalhar com o grande desafi o de coletar as informações
que estavam adormecidas, escondidas ou abandonadas, e que, ao serem sistematizadas, revelariam as dimensões daquele período histórico marcado pela violência, ameaça e constrangimento que pesavam sobre a Universidade. A comissão se
dividiu em subgrupos para a coleta de documentos, pesquisa em acervos, formalização de depoimentos e organização e sistematização do material encontrado.
Assim, a CVUfes buscou identifi car eventos importantes do período; os membros da comunidade universitária que foram presos, ou que sofreram torturas, ameaças e perseguições; as ações repressivas diretas na Ufes; as exonerações, aposentadorias e expulsões.
Um trabalho árduo que exigiu metodologia, pesquisa de campo, análises documentais, sensibilidade e conhecimento para a coleta de depoimentos, além de elevada carga de perseverança e dedicação. O Relatório Final da CVUfes, disponibilizado nesta publicação, resulta do esforço desenvolvido nos últimos quatro anos de busca incessante para se contar a trajetória da Ufes, do Espírito Santo e do Brasil no período autoritário de vigência do regime militar. Assim, o que se pretende neste trabalho da CVUfes é revelar a história que estava ocultada ou distorcida, de modo que prevaleça a verdade. Sempre.
Reinaldo Centoducatte
Reitor da Ufes

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 COMISSÃO DA VERDADE DA UNIVERSIDADE DO ESPÍRITO SANTO - RELATÓRIO FINAL

Aluizio Palmar

Aluízio Ferreira Palmar, nasceu em 24 de maio de 1943, em São Fidélis, Estado do Rio de Janeiro. Em sua juventude estudou na Universidade Federal Fluminense e, devido à sua militância revolucionária foi preso e banido do país, após ter sido trocado, juntamente com outros 69 presos políticos pelo Embaixador da Suíça no Brasil. Depois de passar oito anos entre o exílio e a clandestinidade, deu início, após a Anistia Política, a carreira jornalística que completou 50 anos.
Aluízio Palmar foi consultor da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão estadual da Verdade do Paraná, tendo seu trabalho de pesquisador dado origem ao site Documentos Revelados

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