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SEQUESTRO DO EMBAIXADOR DA SUIÇA. MENSAGENS TROCADAS ENTRE A DITADURA E A VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA, NOS 47 DIAS DE NEGOCIAÇÃO

No dia 07 de dezembro de 1970, o Embaixador da Suiça no Brasil foi sequestrado por um comando da VPR. Durante 47 dias, Giovani Bucher ficou em mãos dos revolucionarios.

A demora nas negociações, foi devido as negativas da ditadura em libertar determinados presos sob alegações diversas, além de que alguns presos políticos cederam às pressões dos militares e não aceitaram serem trocados. 

Após as substituições de nomes, os 70 presos políticos embarcaram para o Chile no dia 14 de janeiro de 1971. O Embaixador foi libertado no dia 16.    

Em anexo , arquivo em PDF, constando:

  1. Documento da ditadura, de 09-12-1970, definindo os critérios para a negociação.
  2. Documentos da ditadura, com as seguintes datas: 14.12.70, 18.12.70, 20.12.70, 21.12.70, 26.12.70 e 31.12.70. Em todos esses documentos, a ditadura militar acusa recebimento de listas enviadas pela VPR, com as substituições.
  3. Documentos, com as datas de 04.01.71,  0 5.01.71, 07.0171 e 08.01.71, com as trocas de mensagens entre a VPR e a ditadura. Nesses documentos estão a relação inicial dos presos a serem trocados pelo Embaixador, a exclusões e substituiçoes.    

Um comando da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) chefiado pessoalmente pelo capitão Carlos Lamarca sequestra no Rio o embaixador da Suíça, Giovanni Enrico Bucher. Na ação, é morto um dos três agentes da Polícia Federal que faziam a segurança do diplomata. Iniciava-se assim o mais longo dos sequestros, o último da série e o primeiro em que o regime recusou-se a atender integralmente as exigências dos grupos revolucionários.

A VPR pedia a libertação de 70 presos políticos, a divulgação de um manifesto, o congelamento de preços em todo o país por 90 dias e a liberação das catracas nos trens do Rio de Janeiro. O governo levou 48 horas para responder e avisou que negociaria apenas a libertação dos presos. Lamarca aceitou. O primeiro nome da lista era o de Eduardo Leite, o Bacuri, comandante do sequestro do embaixador da Alemanha, em junho. Ele havia sido preso no Rio em agosto e levado para São Paulo, onde fora brutalmente torturado. No dia seguinte ao sequestro de Bucher, Bacuri foi assassinado pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Seu nome foi substituído na lista.

Dois dias depois, o regime informou que não aceitava libertar 13 dos presos políticos listados – quase todos participantes dos sequestros anteriores. Feitas as substituições, o governo disse que 18 pessoas se recusavam a deixar o país. A ação caminhava para ser desmoralizada. A maioria da direção da VPR decidiu executar o embaixador, responsabilizando a ditadura pelo fracasso das conversações. Lamarca usou sua autoridade de comandante para poupar a vida de Bucher e continuou negociando. Houve novas recusas por parte do governo e novas trocas, num processo que durou um mês.

Os 70 presos libertados e banidos chegaram a Santiago do Chile em 14 de janeiro, 47 dias depois da captura de Bucher. O embaixador foi libertado e recusou-se a identificar seus sequestradores quando foi interrogado pela polícia. Memorial da Democracia

PDFs

 SEQUESTRO DO EMBAIXADOR DA SUIÇA. MENSAGENS TROCADAS ENTRE A DITADURA E A VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA, NOS 47 DIAS DE NEGOCIAÇÃO

Aluizio Palmar

Aluízio Ferreira Palmar, nasceu em 24 de maio de 1943, em São Fidélis, Estado do Rio de Janeiro. Em sua juventude estudou na Universidade Federal Fluminense e, devido à sua militância revolucionária foi preso e banido do país, após ter sido trocado, juntamente com outros 69 presos políticos pelo Embaixador da Suíça no Brasil. Depois de passar oito anos entre o exílio e a clandestinidade, deu início, após a Anistia Política, a carreira jornalística que completou 50 anos.
Aluízio Palmar foi consultor da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão estadual da Verdade do Paraná, tendo seu trabalho de pesquisador dado origem ao site Documentos Revelados

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