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BOMBAS CONTRA A DEMOCRACIA. AÇÃO DOS GRUPOS TERRORISTAS DENOMINADOS ANTICOMUNISTAS

 

MOVIMENTO ANTICOMUNISTA (Mac)

Grupo armado de extrema direita criado em 1961 no Rio de Janeiro, então estado da Guanabara, com o objetivo de combater o “perigo vermelho”.

Acusado de receber apoio da agência central de informações norte-americana — a Central Intelligence Agency (CIA) — e de contar com a tolerância do governo Carlos Lacerda, o Mac realizou vários atentados a bomba no Rio de Janeiro. Em 1962, seus membros metralharam o prédio da União Nacional dos Estudantes (UNE), lançaram bombas de gás no plenário do III Encontro Sindical e atacaram a sede da missão soviética. Essa série de atentados provocou um pedido de investigação por parte do Conselho de Segurança Nacional. Durante as investigações foram citados como membros do Mac: Rubens dos Santos Werlang, Luís Botelho, Roberto Magessy Pereira e Aluísio Gondim.

Na década de 1970, o Mac realizou ações conjuntas com o Comando de Caça aos Comunistas (CCC).

FGV/CPDOC

COMANDO DE CAÇA AOS COMUNISTAS (CCC)

O CCC surgiu como resultado da fusão de vários grupos de extrema direita, entre os quais a “Canalha” do Colégio Mackenzie e os “Matadores” da Faculdade de Direito do largo de São Francisco. Em 1964, participou ativamente do movimento que depôs o presidente João Goulart, atuando principalmente na tomada da Companhia Telefônica de São Paulo e na ocupação das docas de Santos. Depois disso, só tornou a agir em 1968, quando, em carta aberta ao governador paulista Roberto Abreu Sodré, anunciou sua volta em função do que considerava a omissão do governo em face do “avanço comunista”.

Em outubro de 1968, integrantes do CCC ligados à Faculdade Mackenzie atacaram os estudantes da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), que recolhiam dinheiro para o XX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), a ser realizado clandestinamente ainda naquele ano. Com a reação dos estudantes da USP, iniciou-se um conflito, no qual os membros do CCC utilizaram armas de fogo e coquetéis molotov. O estudante secundarista José Guimarães foi morto a tiros e a luta só terminou com a intervenção da polícia. Ainda no mês de outubro, o CCC realizou um atentado contra o Teatro Ruth Escobar, na capital paulista, onde era encenada a peça Roda viva, ameaçando e espancando os atores. O grupo atuou também no Rio de Janeiro, atacando o Teatro Mesbla, onde era apresentada a peça Cordélia Brasil.

No início da década de 1970, o CCC praticamente cessou suas atividades. Em 1975, porém, a morte do jornalista Vladimir Herzog nas dependências do Departamento de Operações Internas-Comando de Operações para a Defesa Interna (DOI-CODI) do II Exército, em São Paulo, suscitou protestos, principalmente do movimento estudantil, que realizou uma série de manifestações. Em resposta a essa mobilização, o CCC voltou a agir, visando principalmente as entidades estudantis e os jornais da imprensa dita alternativa. Ocorreram atentados em Minas Gerais, contra o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais, e em São Paulo, contra o Centro Acadêmico das faculdades de Física e Matemática da USP. Os escritórios dos semanários Em Tempo e De Fato em Belo Horizonte também foram atacados.

A despeito dos inquéritos abertos para investigar as atividades do CCC, nunca ocorreram prisões de integrantes da organização.

Nos últimos anos da década de 1970, o CCC passou a agir contra as entidades de defesa da anistia e contra setores do clero, responsabilizando-se por exemplo, em 1977, pelo seqüestro de dom Adriano Hipólito, bispo de Nova Iguaçu (RJ), conhecido por sua atuação em defesa das camadas menos favorecidas da população.

Teresa Veloso

FONTES: Cruzeiro (11/68); Veja (11/68).

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Aluizio Palmar

Aluízio Ferreira Palmar, nasceu em 24 de maio de 1943, em São Fidélis, Estado do Rio de Janeiro. Em sua juventude estudou na Universidade Federal Fluminense e, devido à sua militância revolucionária foi preso e banido do país, após ter sido trocado, juntamente com outros 69 presos políticos pelo Embaixador da Suíça no Brasil. Depois de passar oito anos entre o exílio e a clandestinidade, deu início, após a Anistia Política, a carreira jornalística que completou 50 anos.
Aluízio Palmar foi consultor da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão estadual da Verdade do Paraná, tendo seu trabalho de pesquisador dado origem ao site Documentos Revelados

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