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HISTÓRICO DISCURSO DE LEONEL BRIZOLA LOGO APÓS O GOLPE MILITAR DE 1964 EM TRÊS PARTES

Um histórico discurso pronunciado por Leonel Brizola, nos primeiros dias de abril de 1964, em Porto Alegre-RS, está disponível no Youtube. Em frente à Prefeitura porto-alegrense, contando com a transmissão da “Rádio Nacional da Legalidade”, e acompanhado por dois correligionários trabalhistas – o deputado federal Wilson Vargas e o representante da mocidade do partido (PTB), Claudio (inaudível) Rocha –, o então deputado federal Brizola preconizava a resistência popular e de frações militares nacionalistas ao golpe militar-empresarial que marchava aceleradamente.

Tentava-se reeditar a campanha da Legalidade de 1961, que assegurou a posse de João Goulart na Presidência. Brizola assinalava a importância da greve geral na Guanabara (atual cidade do Rio de Janeiro), assim como preconizava a mesma medida para as classes trabalhadoras de São Paulo, contra a “tentativa de golpe” dos “gorilas”, das “oligarquias” e do “capitalismo internacional”.

​Ademais, saudava a colaboração do 3º Exército e apelava aos sargentos, aos fuzileiros navais e ao almirante Aragão, para a resistência contra a “ação criminosa” de uma “minoria” e do “Governador Carlos Lacerda”. Pedia igualmente a João Goulart que não renunciasse ao cargo e à resistência. Discursos dramáticos de Brizola e dos seus companheiros trabalhistas, norteados por valores nacionalistas e anti-imperialistas.

Seguramente os três recursos de áudio disponibilizados no Youtube configuram relevantes registros históricos, que lançam luzes sobre a época, bem como complexificam a convencional abordagem que destaca uma passividade popular e das esquerdas em relação ao golpe. Por fim, vale observar que a informação na abertura dos vídeos refere-se a 1961, mas os pronunciamentos deixam claro que ocorreram no calor dos idos de abril de 1964.

Aluizio Palmar

Aluízio Ferreira Palmar, nasceu em 24 de maio de 1943, em São Fidélis, Estado do Rio de Janeiro. Em sua juventude estudou na Universidade Federal Fluminense e, devido à sua militância revolucionária foi preso e banido do país, após ter sido trocado, juntamente com outros 69 presos políticos pelo Embaixador da Suíça no Brasil. Depois de passar oito anos entre o exílio e a clandestinidade, deu início, após a Anistia Política, a carreira jornalística que completou 50 anos.
Aluízio Palmar foi consultor da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão estadual da Verdade do Paraná, tendo seu trabalho de pesquisador dado origem ao site Documentos Revelados

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